quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sempre teremos Casablanca

Lançada há 75 anos, a love story de Bogart & Bergman
Persiste como um dos maiores sucessos cult do cinema 


A sequência final de Casablanca foi filmada em um galpão da Warner, em Burbank, Califórnia 
Por Roberto Muggiati


A história de amor do século entre Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Berman) pode ser resumida num tweet: “Paris: invasão alemã separa amantes. Ela casa com herói da Resistência. Casablanca: mocinho faz amada fugir com marido por um mundo melhor.”

O filme era para ser mais uma produção rotineira da Warner. Baseou-se numa peça de teatro não encenada, Everybody Meets at Rick’s. O texto passou por muitas mãos e modificações. Casablanca foi rodado em apenas 71 dias, de 25 de maio a 3 de agosto de 1942, num galpão de Hollywood, sem nenhum ar de Paris ou do Marrocos. As filmagens começaram com apenas metade do roteiro pronta. Logo depois, as falas e marcações eram escritas às pressas por Howard Koch e pelos irmãos gêmeos Jules e Philip Epstein na véspera da filmagem. Ingrid Bergman não sabia quem devia amar: Rick ou Laszlo? Há quem defenda que toda essa confusão foi uma das causas principais do sucesso de Casablanca.

O filme é o campeão das frases de efeito, de humor cortante, um tipo de cinismo gerado pelo pathos da guerra. Nas conversas entre o capitão Renault e Rick, por exemplo: “Que diabos o trouxeram a Casablanca?/Minha saúde. Vim por causa das águas./Águas, que águas? Estamos no deserto!/Fui mal informado.” Uma mulher pergunta a Renault que tipo de homem é Rick: “Rick é o tipo de homem que... se eu fosse uma mulher, e eu não estivesse disponível, eu me apaixonaria por Rick.” E o fecho do filme, quando os dois, acumpliciados na vitória do Bem, se afastam em meio à neblina: “Isto poderia ser o início de uma bela amizade.”

O choque de Rick ao reencontrar Ilsa no seu café: “De todas as biroscas em todas as cidades do mundo, ela tem de entrar logo na minha!” Evocando a invasão de Paris: “Lembro cada detalhe: os nazistas vestiam cinza, você azul.” Convencendo-a do acerto do seu sacrifício: “Ilsa, não sou bom em matéria de nobreza, mas não é muito difícil perceber que os problemas de três pessoinhas não valem coisa alguma neste mundo maluco.” E quando Ilsa, perplexa, pergunta: “E nós?” Rick consola: “Sempre teremos Paris.”

O piano de Sam, do Rick's Café, foi...

...leiloado em 2014. 

O toque musical é perfeito: As Time Goes By, composto em 1931 por Herman Hupfeld, pianista de uma taverna suburbana de New Jersey. A letra sublinha os sentimentos do filme: “É a mesma velha história/A luta por amor e glória/Um caso de vida e morte./O mundo acolherá os amantes/Enquanto o tempo passa...” As Time Goes By sublinha o amor de Rick e Ilsa em Paris e seu reencontro em Casablanca. O piano de Sam em Casablanca foi leiloado em 2014 por 3,4 milhões de dólares na Bonhams de Nova York.

O elenco era uma verdadeira “legião estrangeira”: a sueca Ingrid Bergman; os ingleses Claude Rains e Sidney Greenstreet; os austríacos Paul Henreid (nascido na Trieste do Império Austro-Húngaro) e Peter Lorre (celebrizou-se como O Vampiro de Düsseldorf); o alemão Conrad Veidt (atuou em O gabinete do Dr. Caligari), que fugiu dos nazistas, mas Hollywood engessou em papeis de oficiais nazistas, como em Casablanca. E tem, é claro, o diretor Michael Curtiz, húngaro que se mudou para Hollywood ainda no cinema mudo. Durão, foi temido e odiado por todo o elenco, exceto por Ingrid, que Curtiz tratava como uma duquesa.

Bogart era cinco centímetros mais baixo do que Ingrid, o que o obrigou a pisar sobre blocos de madeira e sentar em almofadas altas para compensar a diferença. O filme todo foi rodado num galpão da Warner em Burbank. A cena final usou um avião de compensado em miniatura, imitando um Loockheed Electra Junior, preparado para o voo por extras anões, para manter a proporção. A produção exagerou no nevoeiro – criou um improvável fog londrino no Marrocos – a fim de disfarçar a bizarra montagem. E a capa de chuva emblemática de Bogie – façam-me um favor, em pleno deserto do Saara? Todos esses absurdos funcionaram às mil maravilhas, Havia finais alternativos A e B, até os atores principais só ficavam sabendo qual deles seria usado poucos dias antes da filmagem. Tentativas de corrigir as cenas finais se tornaram impossíveis depois que Ingrid Bergman cortou os cabelos bem curtos, para interpretar Maria em Por quem os sinos dobram? A filmagem de Casablanca foi uma comédia de erros em que tudo se encaixou à perfeição para criar uma obra-prima.

A estreia em Nova York em 26 de novembro de 1942 garantiu que o filme concorresse aos Oscars do ano. Com oito indicações, ganhou os prêmios de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro.  Comunicólogos e semiólogos tentaram decifrar o Efeito Casablanca nas últimas décadas. Num livro de 402 páginas 1992, Round Up The Usual Suspects/The Making of Casablanca – Bogart, Bergman and World War Two II, Aljean Hametz revela todos os bastidores das filmagens. (O título evoca um dos chavões da hipócrita polícia francesa toda vez que havia uma agressão contra os alemães:

“Detenham os suspeitos de sempre.” Na verdade, nunca houve tropas nazistas uniformizadas em Casablanca em toda a Segunda Guerra, o que é talvez o maior disparate, dentre os inúmeros da história.) Até um livro de receitas de comes e bebes foi publicado, The Casablanca Cookbook.
Esta ano saiu o livro de Noah Isenberg, We’ll Always Have Casablanca, que analisa o impacto e a longevidade do filme. Umberto Eco sempre achou o Casablanca medíocre, uma história em quadrinhos, uma colcha de retalhos, com baixa credibilidade psicológica e descontínuo em seus efeitos dramáticos.” Mas Eco admite também: “Casablanca não é apenas um filme. É muitos filmes, uma antologia. Quando todos os arquétipos explodem desavergonhadamente, atingimos profundezas homéricas. Dois clichês nos fazem rir. Uma centena de clichês nos comove, pois sentimos que os clichês estão conversando entre si e celebrando uma reunião.”

Intelectualismos à parte, Casablanca é um filme que fala basicamente à emoção. Cultuado por sucessivas gerações ao longo de 75 anos, deverá continuar, por muito tempo, contando “a mesma velha história da luta por amor e glória.” Por tudo isso, depois de três quartos de séculos, se tornou também imune a remakes e continuações — um milagre impossível de se repetir.

  Remakes, sequels & prequels  

Rick e Ilsa deixam o heroico Victor Laszlo a ver aviões e têm o seu happy end. Casam, dão sua contribuição ao baby boom e se tornam mais uma família afluente na Subúrbia da Sociedade de Consumo. Ou então, numa virada de enredo digna do nosso tempo, Rick e o capitão Renault se aprofundam (literalmente) na sua “bela amizade” e saem pelo mundo afora em busca de destinos gay-friendly. Laszlo larga a política e se torna gerente de uma rede de hotéis, vivendo pra lá de Marrakech num harém de dançarinas do ventre. Dooley Wilson — que canta As Time Goes By no filme — faz sucesso com um clube de jazz na rive gauche de Paris, o Sam’s Café Américain.

São variantes de possíveis continuações de Casablanca que, felizmente nunca foram filmadas.

Existe ainda, só para um clube fechado de jornalistas cariocas, a bem humorada adulteração do final do filme feita por João Luiz de Albuquerque, com Rick e Ilsa juntos num beijo de happy end. Esta versão politicamente incorreta é precedida por um jornal do Canal 100 que mostra o Brasil campeão da Copa de 50 no Maracanã.

Não é de hoje que Hollywood tenta repetir o que deu certo — e nem sempre se dá bem. O romance O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald, publicado em 1925, já no ano seguinte ganhava uma versão no cinema ainda mudo, da qual só restaram poucos minutos – críticos pedantes dizem que é a melhor de todas. Refilmado em p&b em 1949 (com Alan Ladd), Gatsby conquistaria as plateias na versão com Robert Redford e Mia Farrow, roteirizada por Coppola – uma visão anos 70 dos anos 20. E tem ainda a versão de Baz Luhrmann em 2013 com Leonardo DiCaprio. Para mim, que traduzi a versão recuperada de O Grande Gatsby – apesar de incluir música eletrônica, hip-hop e rock numa trilha anacrônica – é de todas a mais fiel ao texto de Fitzgerald. No drama marítimo O grande motim, a versão de 1935 (com Clark Gable e Charles Laughton) ganha longe das de 1962 (Marlon Brando e Trevor Howard) e 1984 (Mel Gibson e Anthony Hopkins). Há remakes que jamais deveriam ter sido feitos: o de O fio da navalha (1946, com Tyrone Power), refilmado em 1984 com Bill Murray; e A carga da brigada ligeira (1936, dirigido por Michael Curtiz, de Casablanca, com Erroll Flynn), refeito em 1968 com David Hemmings. O personagem mais vezes levado à tela é Sherlock Holmes, interpretado por vários atores desde a primeira versão, em 1922, com John Barrymore. O detetive Charlie Chan, que também estreou no cinema mudo, aparece em dezenas de filmes. Ironicamente, seus maiores intérpretes foram falsos chineses: o sueco Warner Oland e o americano (de origem escocesa) Sidney Toler. O exemplo mais bem sucedido de sequels foi a saga O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972, 74, 90). Detalhe precioso: o bebê de Al Pacino batizado no final do Chefão 1 é a filha recém-nascida de Francis Coppolla, Sofia, que atua como ninfeta no Chefão 3, já com 18 anos, e se tornaria expressiva cineasta depois. O charme macabro de Norman Bates gerou as sequências Psicose II e Psicose III e a prequel Psicose IV – O início, todas estreladas por Anthony Perkins, que dirigiu Psicose III. Desperdício total foi Gus Van Sant copiar em cores, em 1998, quadro por quadro, o Psicose original de Hitchcock, de 1960. Já Alfred Hitchcock e a filmagem de Psicose, com Scarlett Johansson fazendo a bela do chuveiro e Anthony Hopkins (não Perkins!) como o Mestre do Suspense, mostra a grande cartada do velho Hitch ao bancar sozinho, com dinheiro do bolso, a filmagem de um dos maiores sucessos de bilheteria, rejeitado por todas as grandes produtoras. Hopkins, a propósito, brilhou nas sequels de O silêncio dos inocentes — Hannibal e O Dragão Vermelho — mas não aparece na prequel, Hannibal – A Origem do Mal.

Existe coisa pior no cinema do que remakes, sequels e prequels? Existe, sim. Até um musical inexpressivo fizeram de Casablanca em 2002. Mas vamos torcer para que a história de amor de Rick e Ilsa continue fechada eternamente entre as quatro paredes do encantado café marroquino.                                                                                                             

A primeira Casablanca 
a gente nunca esquece!

Quem viu Casablanca, certamente viu o filme várias vezes. E lembra até hoje quando o viu pela primeira vez. Minha primeira sessão de Casablanca teve a ver, de certo modo, com a guerra.

Eu fazia o serviço militar no CPOR de Curitiba no verão de 1957. Numa sexta-feira programou-se uma marcha noturna de 30 quilômetros com mochila equipada de 36 quilos no lombo.

Uma verdadeira tortura.

Valendo-me de uma unha encravada, provocada por aqueles elegantes sapatos pretos de bico fino, consegui dispensa médica.

Cine Luz, Curitiba
Resolvi pegar a sessão das oito no Cine Luz, no centro da cidade. Quando ia saindo de casa às sete e meia, no alto da Alameda Carlos de Carvalho – o céu ainda claro no verão curitibano – ouço aquele tropel cadenciado subindo a rua. Era a marcha dos meus colegas da arma de Engenharia, a caminho das ladeiras do Bigorrilho e dos descampados da Campina do Siqueira e do Parque Barigui. Me escondi por trás da sebe de hortênsias que cercava o muro da casa dos meus pais. Passado o perigo, peguei o ônibus rumo ao centro.

Não devia ser a primeira vez que passava Casablanca em Curitiba; apenas 14 anos nos separavam do lançamento do filme – e da Segunda Guerra. O prazer estético de ver pela primeira vez Casablanca – a maior história de amor em tempo de guerra – foi intensificado mil vezes pelo senso do interdito e da transgressão de ter escapado ao castigo da marcha forçada.

Filme sobre a fotógrafa de guerra e musa do surrealismo Lee Miller terá Kate Winslet como protagonista

por Ed Sá 

Com início de filmagens previsto para 2018, a atriz Kate Winslet interpretará a americana Lee Miller, uma personalidade que começou a dominar a cena na segunda metade do anos 20. O filme será baseado na biografia The Lives of Lee Miller, que foi modelo, designer e fotógrafa de guerra


Lee Miller fotografada por George Hoyningen em 1932
/Reprodução Pinterest

Em 1926, com 19 anos, Miller atravessava a rua distraída quando foi puxada pelo braço e salva de um atropelamento. O seu anjo da guarda? Condé Nast, o poderoso proprietário do grupo de mídia fundado no começo do século, onde se destacava a Vogue. A quase vítima impressionou o editor e foi convidada a posar para ilustrações da revista. Em menos de dois anos, Lee Millier tornou-se uma modelo requisitada, o que não a impediu de largar tudo em seguida e se mandar para Paris onde procurou o fotógrafo e pintor Man Ray oferecendo-se para ser sua aluna. Foi aceita e, em pouco tempo, de estagiária virou amante do fotógrafo e musa dos surrealistas. Nos estúdios de Ray desenvolveu sua técnica e estilo.

Anos depois, ela estava em Londres quando a Luftwaffe despejava bombas sobre a cidade. Lee Miller deixava os abrigos para fotografar a devastação provocada pelas incursões alemãs. Foi sua estreia como fotojornalista.
Inglesas em abrigo antibombas, Londres, 1941. Foto Miller/Lee Miller Archives
Ali, a ex-modelo e socialite decidiu obter uma credencial de correspondente de guerra. Normandia, o avanço das tropas aliadas, a libertação de Paris, o desmantelamento dos campos de concentração, a caça aos colaboracionistas se refletiram nas suas lentes..

Paris, 1945. Foto de  Lee Miller/ Lee Miller Archives

Curiosamente, Miller não gostava de testemunhar a violência da guerra, daí buscar cenas de vida em meio à morte, o que, obviamente, nem sempre era possível. Suas lentes registraram imagens dramáticas de fuzilamentos e suicídios, além das cenas terríveis do campos de concentração libertados pelos exércitos americano e soviéticos,.

Lee Miller na banheira de Hitler em Munique Foto de Dave Scherman/Lee Miller Archives/Divulgação

A dureza da guerra não dizimou sua irreverência e muito menos o humor negro, aquela receita do cômico com o  absurdo elaborada pelo surrealistas André Breton na sua "Anthologie de l’humour noir" apropriadamente lançada no começo do conflito, em 1940. Ao chegar em Munique, pouco antes da queda de Berlim, Lee Miller entrou na casa em que Hitler havia morado e posou para o fotógrafo Dave Scherman, da Life.

A foto, com requintes de produção de moda, mostra a musa nua no cubículo
mais íntimo do führer.

Nada mais simbólico para traduzir a vitória aliada sobre um ângulo surreal.

Lee Miller morreu em 1977, com 70 anos de idade. Ela deixou milhares de fotos. Parte desse material está no site
http://www.leemiller.co.uk/app/WebObjects/LeeMillerShop.woa/wo/32.0.7.3.21.1.0.3.4.1.1


Cinema redescobre 
as correspondentes de guerra

Além do filme sobre Lee Miller, duas outras produções abordarão o trabalho de mulheres que enfrentaram os perigos das zonas de guerra como jornalistas e fotojornalistas. A atriz Rosamund Pike viverá a repórter Marie Colvin, que morreu durante a guerra civil da Síria, vítima da artilharia. Investigações apontaram que a jornalista foi deliberadamente alvejada. E Carey Mulligan será Kate Webb, que foi prisioneira durante a Guerra do Vietnã.


Em torno do mesmo tema, duas produções marcaram época no cinema. "10 dias que abalaram o mundo", a saga de John Reed, o jornalista que cobriu a Revolução de 1917 e morreu em Moscou, em 1920 (o filme foi reprisado recentemente, por ocasião dos 100 anos da Revolução) e "Gandhi", onde Candice Bergen (na foto contracenando com o ator Ben Kingsley) tem papel de destaque.

Life número 1: capa de Margaret Bourke-White. 

E a célebre foto da fila da sopa assinada também Margaret Bourke-White.
Reprodução/Citizen Grave

Candice Bergen revive no filme Margaret Bourke-White, a famosa fotógrafa da Life que fez a capa número 1 da revista. Sua foto da fila da sopa dos pobres esmagada por um cartaz de propaganda mostra como a fotografia é capaz de fazer comentário social - e fortíssima nisso.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

"História do Brasil em 100 fotografias" - Quando a imagem pode ajudar a entender esse país desfocado...

"História do Brasil em 100 fotografias" (Editora Bazar do Tempo),  organizado por Ana Cecilia Impellizieri e Luciano Figueiredo, resume em imagens os acontecimentos que moldaram o país. 
O livro cobre cerca de 180 anos de história até 2016. Cada imagem é situada no contexto e no tempo. Um breve currículo apresenta os autores das fotos. Vendo as figuras, quem sabe, os brasileiros passem a entender porque e como se meteram nessa encrenca...

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Roberto Muggiati escreve: A primeira sessão de cinema

ACONTECEU HÁ QUASE 60 ANOS - Uma das primeiras projeções da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio,
no Auditório Oscar Guanabarino, da ABI, em 13 de maio de 1958. O filme exibido foi O ferroviário, de Pietro Germi.
Na primeira fila, no centro (de óculos e bigode), Dejean Magno Pellegrin, um dos maiores incentivadores do cineclubismo no Brasil. Na extrema esquerda, Mary (futura Sra. Zuenir) Ventura. Na segunda fila, Leon Hirszman, futuro cineasta. Na terceira (ao centro, de óculos), Walter Lima Jr., idem. Ainda na terceira fila, Sarah de Castro Barbosa (futura Sra. Joaquim Pedro de Andrade). Na quarta fila, o jornalista Cláudio Mello e Souza, que dirigiu a Fatos & Fotos e foi apelidado de "O Remador do Ben-Hur" por Nelson Rodrigues. Também nessa fila, os futuros cineastas Carlos Diegues e David Neves. Na sexta fila, Tereza Aragão (futura Sra. Ferreira Gullar).
Foto de Robert Léon Chauvière * Arquivo Pessoal de Djean Magno Pellegrin


Por Roberto Muggiati

Sou de uma geração perdida – não aquela do Hemingway – mas perdida de amor pelo cinema, uma geração com o coração de celuloide. Desde o primeiro filme, embaçado nas névoas da memória – O mágico de Oz, primeiro filme também de Salman Rushdie, que escreveu um livro a respeito – desde aquela primeira viagem fantástica com Judy Garland não me afastei mais do escurinho do cinema.

Ainda de calças curtas, escambava gibis na calçada do Cine Broadway, em Curitiba, antes de encarar a matinê de domingo, que começava às duas e ia até o fim da tarde, com direito a trailers, cinejornais, filme de abertura, filme principal e os seriados tipo Flash Gordon (“Continua na próxima semana...”)

Dejean Magno Pellegrin
Como cinéfilo, ganhei um upgrade no meu ano e meio de Paris, de fins de 1960 a começo de 1962: via dois filmes por dia, um deles inevitavelmente na Cinémathèque. Foi também lá que conheci Dejean Magno Pellegrin, que se tornaria meu personal de cinema (na época não se usava essa expressão, nem guru). Um dia ainda vou fazer um perfil mais aprofundado com o título Dejean: Le Chevalier Galant du Septième Art.

Nos primeiros meses de Paris, morei na Cité Universitaire, na Maison du Brésil: uma máquina de morar tramada em 1957 por Lúcio Costa e Le Corbusier. Era acolhedora, cada quarto com calefação e seu chuveiro próprio – uma dádiva em Paris – mas a gente pagava um preço por aquele conforto. A Cidade Universitária ficava quase fora de Paris, confinava com o Boulevard Périphérique, isso diz tudo: pertencia à periferia. E a Casa do Brasil era um gueto tupiniquim, com feijoada e rodas de violão aos sábados.

Em fevereiro de 1961, com uma primavera precoce, temperatura de vinte graus e alguns afoitos nadando nas águas do Sena, eu já estava instalado num hotelzinho barato, mas admiravelmente bem situado, no coração de Paris, na Place Dauphine, vizinho do casal Yves Montand-Simone Signoret.

Conheci Dejean ainda na Cité Universitaire, num bistrô das redondezas frequentado por cineastas e cinéfilos brasileiros. Joaquim Pedro morava lá, estudava no IDHEC (Institut de Hautes Études Cinematographiques), ficamos amigos. No fim do ano foi um festival, vieram de Roma Paulo César Sarraceni e Gustavo Dahl, que estudavam cinema em Roma, tinham um colega italiano chamado Bernardo Bertolucci. Déjean morava perto, dividia um apartamento com o pianista Artur Moreira Lima em Montrouge.

Le Champo ou Le Champollion, em Paris.
Hoje é o Espace Jacques Tati

Minha mudança de endereço para a Place Dauphine, na Île de la Cité, não rompeu meu contato com Dejean. Bolsista do governo francês, eu só tinha aulas à noite, no Centre de Formation des Journalistes. Uma de nossas ocupações era caçar filmes de Ingmar Berman por toda a cidade. Dejean aparecia com a revistinha La Semaine de Paris debaixo do braço: “Está passando Törst num cinema de bairro perto da Mairie du 9ème, cara, vamos nessa.”

E lá íamos nós, fazendo três ou quatro “correspondances” (trocas de trem) no metrô de Paris. Törst, de 1949, era Sede em português, no Brasil se chamaria Sede de Paixões. Na França tinha o título poético de La Fontaine d’Arethuse, alusão a um recanto da Sicília mencionado no filme, que trata basicamente da DR de um casal numa viagem de trem da Itália à Suécia, atravessando a Alemanha devastada pela guerra. A evocação da ninfa Aretusa seria a metáfora da impossibilidade do amor.

O filme, embora um Bergman menor, me tocou fundo e levou a visitar a Fonte de Aretusa, em Siracusa, no meu Grand Tour daquele verão. E a revisitar Siracusa em 1999, 38 anos depois.

Havia muito Bergman a descobrir. Antes de Morangos silvestres, de 1957, ele tinha rodado dezessete longas. Fazíamos também concursos para ver quem lembrava mais títulos originais: Det regnar på vår kärle (Chove sobre nosso amor), Kvinnors väntan (Quando as mulheres esperam) En lektion i kärlek (Uma lição de amor) Sommarnattens leende (Sorrisos de uma noite de amor), o quebra-línguas Smultronstället (Morangos silvestres), Ansiktet (O rosto) e o belíssimo Gycklarnas afton (Noites de circo), que teve traduções inspiradas em francês (La Nuit des Forains/A noite dos circenses) e inglês (Sawdust and Tinsel/Serragem e purpurina). Eu levaria a mania pela vida afora: um dos títulos mais geniais para mim é o de Gritos e sussurros (1972): Viskningar och Rop. Claro, os franceses, inventores e cultores da sacrossanta Sétima Arte, projetavam estes filmes em v.o. – versão original – o áudio em sueco, com legendas. Assim, pela persistência das falas, sempre aprendíamos alguma coisa: Jag älskar dig (Eu te amo); ingen tingen (nada).



Outro cineasta que me arrebatou na época foi Michelangelo Antonioni, com L’Avventura, de 1960. Eu ignorava que ele tinha feito anteriormente dezessete filmes, começando em 1943. Dejean me apresentou a La Signora senza camelie/A dama sem camélias (1953), Le Amiche/As amigas (1955), baseado numa história de Cesare Pavese, e Il Grido/O grito (1957), já inserido no hábito italiano de usar atores americanos, nesse caso Steve Cochran (atuou em Copacabana com Groucho Marx e Carmen Miranda) e Betsy Blair (ex-Sra. Gene Kelly). Talvez eu tenha levado o título no meu inconsciente para o do meu livro Rock: o grito e o mito (1973).

Estranha coincidência naquela nossa escolha de colecionar Bergmans e Antonionis. Os dois diretores morreram com horas de diferença em 30 de julho de 2007: Bergman no começo da manhã, aos 89; Antonioni poucas horas depois, aos 95. Ambos com uma obra sólida: Antonioni com sua Trilogia da Incomunicabilidade (A aventura, A noite, O eclipse), de 1960-62; Bergman com sua Trilogia do Silêncio (Através de um espelho, Luz de inverno, O silêncio), de 1961-62. Escrevendo sobre as analogias na obra de ambos e a sincronicidade de sua morte, um crítico definiu sua obra como “um retrato da alienação do homem moderno num universo sem Deus.”

Em Paris, Dejean trabalhava na Radiodiffusion Télévision Française, fazendo programas em português para o Brasil. Amigo generoso, me encaminhou para uns frilas na RTF, mas não me dei bem na estreia e não me chamaram mais. Eu mal podia imaginar que no ano seguinte, 1962, seria contratado para trabalhar durante três anos no Serviço Brasileiro da BBC de Londres. Uma experiência inesquecível: cheguei numa Inglaterra ainda vitoriana, saí de lá com a Swinging London a todo vapor. Pertencíamos ao que eu chamo de A Legião Estrangeira do Rádio. Tive colegas que trabalharam em The Voice of America em Washington e na BBC de Londres: o saudoso Telmo Martino e José Guilherme Correa.

Quando fui conhecer Estocolmo no verão, Dejean me encaminhou ao carioca Jack Soifer, que trabalhava na Rádio Suécia e foi para mim um cicerone generoso e hospitaleiro. Havia ainda a Rádio Canadá (nosso chefe de reportagem da Manchete, João Resende, quase foi parar lá) e a Deutsche Welle, em Colônia, para os mais afoitos que conheciam o alemão, em geral descendentes. Mas Dejean parece que levou a coisa da Legião Estrangeira a sério, inspirado também naqueles filmes épicos da antiga como Beau Geste, Lanceiros da Índia e As quatro penas brancas. (Quando você é cinéfilo de verdade, a ficção das telas muitas vezes comanda suas escolhas no mundo real.) Ele foi trabalhar no Serviço Brasileiro da Rádio do Cairo, onde se tornaria parceiro de transmissão do gaúcho Francisco Bittencourt, crítico de arte que se tornaria meu amigo em 1970. Imaginem só o que é viver na cidade do Cairo no final dos anos 1960, na república presidida por Gamal Abdel Nasser, que destronou o Rei Faruk. (Bem humorado, Faruk comentou: “Em breve só haverá quatro reis: o Rei da Inglaterra e os quatro reis do baralho…”)

Um corte rápido, coisa de cinema. Em 1969, Dejean está morando em Moscou como oficial de chancelaria na Embaixada do Brasil. Na época, uma das grandes salas moscovitas exibia em noite de gala 2001: Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick. Ao final da sessão, os russos na plateia vaiaram o filme, que acharam recheado de mensagens religiosas, principalmente no destaque dado ao misterioso monólito negro. Irritado, Dejean fez um tremendo discurso em inglês, arrasando com os comunistas: “Vocês são uns ignorantes, não entenderam porra nenhuma!”

Foi em Moscou que Dejean conheceu sua primeira e única mulher, Michèlle, uma francesa que trabalhava na Embaixada da França. Tiveram uma filha, cujo nome Dejean tirou – é claro – de um filme, On a Clear Day You Can See Forever/Num dia claro de verão (1970), de Vincente Minnelli: Melinda, a protagonista interpretada por Barbra Streisand. Belo nome. Woody Allen o escolheu para um filme genial de 2004, Melinda e Melinda. Pura coincidência.

Cassado pela ditadura militar, Dejean teria seus direitos parcialmente reintegrados em 1990, mas a família ainda hoje continua lutando por seus direitos. Demitido, Dejean seguiu com Michèlle para uma segunda temporada na Rádio do Cairo.

Humano, muito humano, Dejean era uma contradição ambulante. Esquerdista ferrenho, adorava o cinema americano acima de todas as coisas.  E sua cultura era assombrosa. Há uns dez anos, propus a uma destas “casas do saber” cariocas um curso de quatro palestras sobre O filme noir e os Caminhos do cinema. Convidei Dejean para ser meu parceiro. Eu achava que sabia tudo de noir, mas ele me veio com uma peça rara: um filme de 1952, The Thief/O espião invisível, com Ray Milland, só de música e ruídos, sem nenhuma fala.

De volta ao Brasil, Dejean coordenou um festival de cinema que teve como convidada especial a musa da nouvelle vague Bernadette Lafont. Uma paixonite o levou a morar de novo em Paris, mas o timing conspirou contra ele: Bernadette na época ficou terrivelmente abalada com o desaparecimento da filha caçula, Pauline Lafont, 25 anos também atriz, que percorria sozinha trilhas do sul da França. Caiu de um penhasco e seu corpo só foi encontrado vinte dias depois. Dejean se deixou ficar por alguns tempos na Rue des Entrepreneurs, na Paris que tanto amávamos. Nos últimos anos nos víamos esporadicamente, seu endereço dificultava bastante os encontros:

Dejean morava num belo condomínio na Floresta da Tijuca, dez minutos de táxi além do Museu do Açude. Fui lá uma vez só, a vista era realmente magnífica, do alto das montanhas da Mata Atlântica num dia claro você podia ver o mar da Barra da Tijuca. As paredes do apartamento eram forradas pelos doze mil filmes de Dejean – e a coleção não parava de se avolumar, com as doações dos companheiros que já iam partindo. Antes, almoçamos no Bar da Pracinha, diante da entrada da Floresta da Tijuca, dividimos um belo filé à francesa (évidemment) com chope, discutindo apaixonadamente, como sempre, nosso assunto predileto.


A última vez que vi Dejean foi na ABI, no centro do Rio, em setembro de 2010, na cerimônia de descerramento da foto famosa que abre esta matéria, seguida da projeção do mesmo Il Ferroviere, de Pietro Germi, exibido na sessão histórica de 1958 – sutileza típica do Dejean. O amigo cinéfilo morreu do coração um ano e meio depois, aos 81, e sua cremação, no Cemitério do Caju, foi a única a que compareci até hoje.

No dia seguinte, um domingo, um incêndio destruíu totalmente o Cine Teatro Ouro Verde, um dos templos da minha adolescência cinéfila. Vi naquilo não uma mera coincidência, mas uma imolação do destino à altura do querido Dejean.


Executivo da Televisa citado no escândalo das propinas da Fifa é assassinado no México. Há poucos dias, outro empresário denunciado no mesmo esquema morreu na Argentina...


Em menos de uma semana, morreram dois executivos envolvidos no escândalo de propinas da Fifa em pagamento de compras suspeitas dos direitos de transmissão de Copas do Mundo. 

Ambos foram citados na delação de Alejandro Burzaco à Justiça dos Estados Unidos durante o julgamento do ex-presidente da CBF (e ex-governador de São Paulo nomeado pela ditadura militar), José Maria Marin. 

Na Argentina, Jorge Alejandro Delhon, da empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias, foi encontrado morto após supostamente se jogar na frente de um trem em movimento, no dia 14 desse mês, nas imediações de Buenos Aires. A polícia local ainda apura as circunstâncias. 

No México, hoje, foi assassinado a tiros Adolfo Lagos Espinosa, vice-presidente de telecomunicações da Televisa, a rede mexicana apontada pelo delator Burzaco, ao lado da Fox Sports e da Globo (as três empresas de mídia acusadas negam participação em qualquer negociação irregular), como envolvida no pagamento de propinas a dirigentes esportivos. As primeiras informações da imprensa mexicana falam em assalto. Espinosa teria sido abordado por homens armados que supostamente queriam levar sua bicicleta. A polícia mexicana investiga o crime. 

Perdeu o apetite?




Das últimas quatro capas da Veja, apenas uma foi dedicada à política e, mesmo assim, para uma matéria mais analítica do que de apuração: o ainda improvável embate entre Bolsonaro e Lula nas eleições de 2018.

Escândalos não faltam, mas aparentemente, nessa editoria, a revista fez uma pausa para discutir a relação.

Luciano Huck, a nova aposta, Geddel e as novas revelações, o caso Fifa/Marin e a Globo,  Picciani... não fizeram a revista piscar.

Se não secaram, as fontes de "vazamentos" parecem que entraram em fase de estiagem.

O último ritual: morre Charles Manson, o guru que mandou matar a atriz Sharon Tate...


Suástica na testa. l.A.
Há poucas horas, Debra Tate, irmã da atriz Sharon Tate, recebeu uma ligação do Departamento de Correção e Reabilitação de da Califórnia. Era um funcionário da prisão avisando da morte de Charles Manson, aos 83 anos, de causas naturais.

O telefonema fechou um ciclo que começou nos dias 9 e 10 de agosto de 1969, quando Manson e seguidores da sua seita assassinaram nove pessoas, aleatoriamente, em bairros ricos de Los Angeles. Entre as vítimas estava a atriz Sharon Tate, 26 anos, casada com o diretor Roman Polanski, de quem esperava o primeiro filho.

A caminho do julgamento. Reprodução Instagram
No final da década de 1960, Charles Manson liderava um culto apocalíptico - à Rolling Stone, ele contou que se "inspirou no Beatles" e se descreveu como uma reencarnação de Jesus Cristo, "não me importa se vocês acreditam ou não" - e seus seguidores esperavam que a onda de crimes fosse atribuída a negros e desencadeassem uma guerra racial na cidade nas grandes cidades. Desse apocalípse, ele acreditava que nasceria o "novo mundo".





A  morte de Sharon Tate ocupou a mídia mundial. Revistas conservadoras como a Life e a Manchete generalizaram a tragédia e atribuíram os crimes aos "hippies". Para Life, era o 'a face escura da vida hippie"; para a Manchete, "a fúria assassina dos hippies". O Sunday News apostou em ritual; o Globo em oferenda a Satã.

Manson foi condenado à morte em 1971. Posteriormente, quando a Califórnia aboliu a pena de morte, teve a sentença comutada para prisão perpétua.

Ele jamais se declarou arrependido.

Nos últimos anos, em foto dos arquivos policiais e em vídeos no you Tube, apareceu com uma suástica tatuada na testa.


domingo, 19 de novembro de 2017

Roberto Muggiati escreve: BRASILEIRÃO 2018 - Sai de baixo que a gralha azul vem aí!


Roberto Muggiati

Vibrei neste sábado com a classificação do Paraná Clube para voltar à Série A do Campeonato Brasileiro, depois de dez terríveis anos na Segundona, correndo por vezes o risco de cair para a terceira divisão.

O engraçado nisso tudo é que nem torcedor paranista eu era. Nascido em Curitiba e morando lá até 1960, eu torcia para o glorioso Clube Atlético Ferroviário, o time da RVPSC (não é “répondez s’il-vous plait”, mas Rede Ferroviária Paraná Santa Catarina). Aliás, vocês nem imaginam a quantidade de times ferroviários que existem ou existiram no Brasil, meu amigo paranista Ernani Buchman, presidente da Academia Paranaense de Letras, contou esta história magistralmente em seu livro Quando o Futebol Andava de Trem/Memória dos times ferroviários brasileiros (Imprensa Oficial do Paraná, 2004), listando quase uma centena de agremiações nos trilhos.

Nada melhor para explicar o que era o Ferroviário do que a analogia com os partidos políticos da época: o Atlético, o Furacão, era o PSD (centrista); o Coritiba era a UDN, de direita; foi fundado por um grupo de jovens do Clube Ginástico Teuto-Brasileiro Turnverein e por muitas décadas, arianista, só admitia jogadores brancos, daí o apelido de Coxa Branca; e o Ferroviário era o PTB, centro esquerda, o time do povão.

Fundado em 1930, o Clube Atlético Ferroviário ganhou o apelido de "Boca-Negra", nome de um grupo indígena descoberto na selva brasileira na época. Além de gloriosas conquistas esportivas, o Ferroviário inaugurou em 1947 o estádio Durival Britto e Silva, em Vila Capanema, o terceiro maior do Brasil depois de São Januário e Pacaembu, quando ainda não havia o Maracanã.

Além de torcer para o Ferroviário, calhou que no ano de 1949 – quando o Colégio Estadual do Paraná ainda não havia inaugurado seu fabuloso campus junto ao Passeio Público – eu tinha aulas de ginástica, no primeiro ano do Ginásio, no Durival Britto.


O estádio tinha uma concha acústica (demolida depois), onde vi um fabuloso show da Orquestra de Xavier Cugat, com sua coleante rumbeira e mulher Abbe Lane – a sex symbol latina está viva e mora em Brooklyn, onde nasceu há 84 anos numa família judia com o nome de Abigail Francine Lassman. Já Xavier Cugat – regendo a banda com seu cachorrinho chihuahua no bolso do summer jacket – que todo mundo julgava cubano ou mexicano, era catalão e amigo de infância de Salvador Dalí.

Ou seja, vivemos num mundo de aparências. Cugat na época era um dos grandes nomes dos musicais da Metro, o que não impediu um daqueles torcedores malucos do Ferroviário – todo time tem o seu – o Paraquedista, de atrapalhar o show na concha acústica falando um monte de baboseiras.

Foi no Durival de Britto que – aos doze anos, com meu pai, ele de terno e chapéu – vi os dois jogos curitibanos da Copa de 1950: Espanha 3x1 Estados Unidos e Suécia 2x2 Paraguai, um deles apitado pelo lendário referee brasileiro Mario Vianna. A seleção americana era um saco de gatos, formada por um bando de imigrantes – americano que se prezava na época só jogava o seu football, com aquela bola entortada, e desprezava o soccer. Pois não é que os carcamanos dos EUA, uma semana depois, eliminaram por 1x0 o English team, um dos favoritos da Copa de 50?

Também no Durival Britto eu me deliciava com os Torneios Início, um dos adoráveis cacoetes do futebol brasileiro nos anos 40/50. O leitor de hoje talvez nem tenha ouvido falar. O Torneio Início – e acontecia em quase todos os estados – era um aperitivo dos campeonatos estaduais e confrontava todos os times em partidas de 20 minutos (10 por tempo). A final era maior: 60 minutos (30 por tempo). O desempate era resolvido ou pelo número de escanteios ou por disputa de pênaltis. Enfim, um domingo inteiro de futebol, verdadeiro piquenique, e dava cada zebra...

Parti de Curitiba para o mundo em 1960 e nunca mais vi o Ferroviário jogar. Em 1970, o Ferroviário – sei lá por que – se fundiu com o Britânia e o Palestra Itália para formar o Colorado. E em 1989 – pouco depois da queda do Muro de Berlim, que não teve coisa nenhuma a ver com essa história – o Colorado fundiu com o Pinheiros, o antigo Água Verde – o “hidro-esmeraldino” no jargão dos locutores de futebol – para formar o Paraná Clube.


As camisas, vermelha do Colorado e azul do Pinheiros, foram cortadas na vertical em duas metades, o que deu uma estranha camisa de jóquei para o Paraná, talvez única no Brasil.

Em 2007 o Paraná complicou-se com a Libertadores e foi rebaixado para a série B do Brasileirão. Pastou os dez últimos anos na grama amarga da Segundona, assolado pelo espectro da queda para a terceira.

Fotos: Site Oficial Paraná Clube
Este ano, mostrou sua maior qualidade: a garra. Teve muitas trocas de técnicos, o incidente maluco com o Lisca, mas se deu bem no final com Matheus Costa, o técnico mais jovem de todas as divisões brasileiras de hoje, na flor dos seus 30 anos. Dos quatro classificados para a série A, o Internacional, apesar dos fortes investimentos e do apoio da grande  torcida, decepcionou. O América mineiro mostrou força e coesão e passou à frente. O Ceará também fez valer sua energia. E o Paraná, mais do que com valores individuais, conquistou o seu lugar graças ao espírito de grupo e ao amor à camisa, acima de tudo. Vai precisar de um bom investimento para encarar a elite em 2018. Mas o principal, a garra, está garantido. Se cuidem que a gralha azul vem com tudo!

Já viu uma foto irônica?


por Jean-Paul Lagarride 

Essa foto é ótima. Aos 93 anos, o ditador Mugabe, do Zimbábue, estava no poder desde 1980. Na semana passada, militares ocuparam com tanques ruas e avenidas e tomaram o país. Mas houve por parte das forças armadas uma certo e inusitado pudor em assumir o golpe. Mugabe foi inicialmente isolado em casa em meio a "negociações", até que lhe deram 24 horas para renunciar ou enfrentar um impeachment.

The Sun publicou a foto acima acompanhada de um título que é um primor de ironia: "Robert Mugabe concordou em desistir depois de 37 anos como presidente do Zimbábue..."

Concordou? E o cara tinha outra saída numa sala cheia de milicos? Deve ser humor inglês.

O texto ainda registra que Mugabe parecia meio atordoado. Parecia? Acorda, estagiário!

Dizem que um dos argumentos finais do exército era deixar que manifestantes entrassem na luxuosa mansão do ditador, caso ele não concordasse em pular fora. Mugabe deve ter se lembrado do fim de Kadhafi.

Mugabe era um ditador cruel, mas não sei se o Zimbabue vai melhorar. O seu substituto atende pelo apelido de The Crocodile. E não é por usar sapatos de fino couro da espécie.

Agência de viagem leva seu boneco de pelúcia para passear...

Reprodução Facebook




por O.V.Pochê 

É mais comum do que se pensa. Ao viajar, muitos adolescentes, crianças e até adultos não se separam dos seus bichos de pelúcia de estimação. Há poucos anos, a rede inglesa de hotéis Travelodge constatou em pesquisa que quase um terço dos seus hóspedes dormia abraçado com seus ursinhos de pelúcia da infância A maioria revelou que o hábito era relaxante. A média de idade dos bichos era de 27 anos.

Uma viagem a Tóquio é cara. Mas o destino é procurado por muitos turistas ou executivos que levam na bagagem suas Hello Kitty ou seus Teddy. Agora, mesmo que você não possa bancar esse custo, uma agência japonesa criou um opção bem mais em conta.

A Unagi Travel organiza um tour para que seu boneco de pelúcia visite o Japão. Ele vai, você fica.

Basta contratar um pacote de pouco mais de 200 reais por dia, enviar o boneco pelo correio e os guias japoneses percorrerão pontos turísticos e enviarão fotos e selfies do seu "amigo" em um animado tour. E você poderá sugerir o roteiro mais indicado para seu boneco de pelúcia: um passeio espiritual, por templos; aventureiro, por picos e trilhas; noturno, por boates e clubes; por parques de diversão, estádios, viagens no trem-bala etc.




Você, por exemplo, um brasileiro que comprou um "pato da Fiesp" ou um Pixuleco, levou a dupla às ruas para denunciar a corrupção e agora tem que aturar Micheleco Temer, Picciani etc, e está vendo seu "amigo" triste e deprimido, seus problemas acabaram: pode mandá-lo passear em Tóquio para, quem sabe, recuperar o ânimo e bater umas panelas no Monte Fuji. Consulte a Unagi Travel, clique AQUI 

"Foi assim", a autobiografia de Wanderléa...


Aos 73 anos, a cantora Wanderléa lança sua autobiografia. "Foi assim" (Record) revela sua trajetória profissional e não deixa de abordar os bons em tristes momentos da sua vida pessoal. Manchete, Fatos & Fotos, e, principalmente, Amiga e Sétimo Céu acompanharam passo a passo os anos de glória  da Jovem Guarda e da sua musa. Capas, entrevistas e milhares de fotos registraram aqueles dias de explosão da música jovem no Brasil.


Até fotonovela Wanderléa fez na Sétimo Céu.

Uma entrevista que vale reprisar é essa da Amiga, feita pela repórter Emilse Barbosa, com fotos de Sebastião Araújo.




Clique nas imagens para ampliar

Fotomemória da redação: cenas do 'bunker' do Russell

Anos 1980, o redator e chefe de reportagem João Resende, o fotógrafo Paulo Scheunsthul e...

...a repórter e redatora Suzana Tebet e o fotógrafo Antonio Rudge na redação da Manchete.

sábado, 18 de novembro de 2017

Playboy: Hugh Hefner em edição limitada e fotos inéditas



A Playboy americana lança uma edição especial sobre o seu fundador, Hugh Hefner, morto há menos de três meses. "The Limited Edition: Hugh Hefner Special Tribute" reúne fotos inéditas e pode ser adquirida no site PlayboyShop.

Twitter expulsará neonazistas...

O Twitter dá um ultimato aos neonazistas: se não pararem com o discurso de ódio até o dia 18 de dezembro serão chutados definitivamente do microblog.
A empresa anuncia que monitorará o comportamento de usuários ligados a organizações violentas dentro e fora da plataforma, e que promovam ações de ameaças e intolerância.
O prazo até dezembro se explica em função da legislação de alguns países que exigem avisos prévios sobre mudanças de políticas internas para os usuários. A notícia está no Mashable.

Na revista Época: O closet de mãinha Geddel...



Botou a mãe no meio, meu rei?

A matéria de capa da revista Época dessa semana mostra que o caso Geddel Vieira de Lima pode ganhar contornos rodriguianos. 

Nelson Rodrigues, um mestre na arte de levar os leitores do antigo Última Hora direto para os porões emocionais da vida-como-ela-é, adoraria a denúncia de Job Ribeiro Brandão, ex-assessor do deputado Lúcio Vieira de Lima, irmão de Geddel. 

Job, que tenta fazer delação premiada sobre o bunker de R$ 51 milhões, como ficou conhecido o apê onde o político baiano guardava suas "economias", entregou em depoimento que, antes de ser levada para o condomínio onde a PF flagrou, a montanha de cédulas ficava guardada no closet de Marluce, a genitora dos acusados.

Se confirmada a delação do assessor, provavelmente mãínha Marluce deverá ser chamada para explicar o fato. Dizer, por exemplo, se viu a dinheirama no seu closet ao pegar um vestido e se teve a curiosidade de tentar saber o que diabos aqueles 51 milhões faziam na sua suíte. 

Vai ver pensou que era apenas o dinheiro que os meninos Geddel e Lúcio estavam economizando para comprar abadá do carnaval no Circuito Barra-Ondina de trios elétricos...  

Professora "manda nudes" como dever de casa...



por Omelete 

Na Colômbia, a escola é sem partido mas com nudes no celular.

A professora Yokasta, de Medellin, resolveu inovar na didática e introduziu métodos de alta tecnologia na sala de aula.

Ela usava um celular de última geração para mandar nudes aos seus alunos adolescentes com sugestões sobre o que deviam fazer para passar de ano.

Segundo o portal peruano La República, do Peru, ela dizia claramente que o caminho para a aprovação nos exames finais passava pela sua cama.

Era pegar ou largar. A professora foi presa e o marido está pedindo divórcio. Para ele era difícil concorrer com as turmas que buscavam aprovação no "enem" colombiano.